Aula de exemplo
É assim que fica cada aula que você manda. Responda as perguntas, vire os flashcards e dê o play no vídeo: aqui nada fica salvo.
Fundamentos, emergências e Cartilha
Resumo de 12 min · 28 perguntas · 20 flashcards · vídeo-esquema de 1 minuto
Introdução, aulas 1 a 3 e a Cartilha CRPRS/CFP. O fio que amarra tudo: risco não é o fenômeno, é a relação entre ameaça, exposição, vulnerabilidade e capacidades — e a Psicologia atua antes, durante e depois, integrada à rede e sem patologizar o sofrimento.
Risco é uma relação
Um fenômeno natural, sozinho, não é desastre. O risco nasce do encontro entre a ameaça e as condições de quem está exposto — e diminui quando existem capacidades para prevenir, responder e recuperar.
Frase-chave
Chuva forte ≠ desastre. O que existe entre a ameaça e o dano é o que produz o risco.
- Ameaça: processo, fenômeno ou atividade capaz de causar perdas, danos ou perturbações.
- Exposição: pessoas, bens, serviços, infraestrutura e territórios situados onde podem ser atingidos.
- Vulnerabilidade: condições que aumentam a suscetibilidade aos impactos e reduzem a proteção. É contextual e relacional — não é uma característica fixa da pessoa.
- Capacidades: recursos individuais, comunitários e institucionais para prevenir, responder e recuperar.
- Fórmula de bolso: Risco ≈ (Ameaça × Exposição × Vulnerabilidade) ÷ Capacidades. Mais capacidade, menos risco.
- Tipos de ameaça: naturais, tecnológicas, biológicas/sanitárias, sociais/humanas e combinadas. A ameaça, sozinha, não define o tamanho do impacto.
“Ameaça Encontra Vulneráveis; Capacidades protegem”
“Na Terra, Bichos e Sociedade se Combinam”
Mesma ameaça, impactos diferentes
O mesmo evento atinge territórios de formas diferentes porque as condições de antes são diferentes. Desastres revelam desigualdades que já estavam lá.
Frase-chave
Mesma ameaça. Risco e impactos diferentes.
- Pesam no impacto: moradia e infraestrutura, acesso a renda, transporte, informação e serviços, idade, deficiência, saúde, força das redes de apoio, histórico de exclusão e capacidade institucional.
- Território protegido: drenagem adequada, sistema de alerta, rotas de evacuação conhecidas, serviços organizados, comunidade treinada.
- Território vulnerável: ocupação em área de risco, sem alerta acessível, dificuldade de mobilidade, serviços frágeis, histórico de perdas.
- O território não é cenário: tem histórias, vínculos, identidades e relações de poder. Intervenções que ignoram a cultura local podem produzir novos danos.
- Reconstruir não é só reconstruir prédios: é reconstruir vida cotidiana, vínculos e projetos.
Crise × Emergência × Desastre
Os conceitos se relacionam, mas não são intercambiáveis. Crise é ruptura dos recursos habituais; emergência pede resposta imediata; desastre é impacto relevante e coletivo, ligado às vulnerabilidades do território.
Frase-chave
Emergência tem GTC (pressa); desastre tem ITC (tamanho).
| Conceito | Elemento central | Escala | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Risco | possibilidade de perdas pela interação ameaça × exposição × vulnerabilidade × capacidades | — | bairro em encosta instável |
| Crise | ruptura dos recursos habituais de enfrentamento | individual, familiar, institucional ou coletiva | pessoa em intenso desequilíbrio após uma perda |
| Emergência | necessidade de resposta rápida e coordenada | variável | risco agudo de autoagressão |
| Desastre | impactos relevantes + desorganização do território | coletiva / territorial | enchente que desloca a população e interrompe serviços |
- Pode haver crise sem desastre, e um desastre pode gerar várias crises. Crise ≠ transtorno mental.
- Emergência tem 3 marcas: Gravidade, Tempo e Coordenação. Nem toda emergência vira desastre.
- Desastre tem 3 marcas: Impacto, Território e Capacidade de resposta — a gravidade é relativa à capacidade.
“Crise = Ruptura · Emergência = Gravidade + Tempo + Coordenação · Desastre = Impacto + Território + Capacidade”
GIRD: as 5 fases da gestão
A Gestão Integral de Riscos e Desastres vai muito além da resposta. O desastre não começa no desastre: começa na ausência de prevenção e de preparação.
Frase-chave
A resposta é apenas uma parte da gestão.
- Prevenção: evitar a criação de riscos NOVOS.
- Mitigação: reduzir riscos e impactos que JÁ EXISTEM.
- Preparação: planos de contingência, fluxos, treinamento de equipes e conhecimento do território.
- Resposta: proteger vidas, atender necessidades, reduzir danos.
- Recuperação: restabelecer a vida e fortalecer o território.
“Por Menos Perdas: Responda e Recupere”
A Psicologia antes, durante e depois
A emergência é um momento da atuação, não o campo inteiro. A Psicologia atua nas cinco fases, com leitura individual, familiar, comunitária e institucional — sempre integrada às políticas públicas e à rede.
Frase-chave
Antes de pensar em técnica, compreender contexto, risco, necessidades e rede.
- Antes: percepção de risco, educação, participação comunitária, planos de contingência, treinamento e comunicação de risco acessível e não alarmista.
- Durante: acolhimento, Primeiros Cuidados Psicológicos (PCP), informação, identificação de necessidades, apoio às famílias e articulação da rede.
- Depois: reconstrução de vínculos, luto, continuidade do cuidado, fortalecimento comunitário e cuidado das equipes.
- Primeiro, necessidades reais: básicas, informação confiável, autonomia e proteção. Evitar forçar relatos, patologizar reações esperadas e prometer o que não se pode cumprir.
- Sofrimento ≠ transtorno: avaliar intensidade e duração, prejuízo funcional, risco, condições prévias, rede de apoio e necessidade de cuidado especializado.
- 5 perguntas para qualquer cenário: o que está acontecendo, quem está mais vulnerável, o que é prioridade agora, qual o papel da Psicologia, com quem trabalhar.
“Não Tem Atalho Aqui”
“Intenso? Prejudica? Risco? Passado? Rede? Especialista?”
Pirâmide IASC, rede e limites
Nem todos precisam do mesmo cuidado. A pirâmide do IASC (2007) organiza as intervenções — e a qualidade da atuação depende tanto do que se faz quanto do que se sabe não fazer.
Frase-chave
Intervenção útil é proporcional à necessidade, coordenada e respeitosa.
- Nível 1 — serviços básicos e segurança (água, alimento, abrigo, higiene, proteção): base para todos.
- Nível 2 — apoios comunitários e familiares: informação, reunificação familiar, rituais, redes e atividades comunitárias.
- Nível 3 — apoios focados não especializados (PCP, escuta qualificada, apoio breve): 15 a 20% da população.
- Nível 4 — serviços especializados de saúde mental para quadros graves: 3 a 4% (CAPS, ambulatórios, psiquiatras e psicólogos).
- Rede: SUS/RAPS, SUAS, Defesa Civil e comunidade. Trabalho em rede não é encaminhar e desaparecer: é compartilhar cuidado e responsabilidade.
- Voluntariado: a pergunta não é "quero ajudar?", mas "minha presença melhora a resposta existente?".
“Base, Comunidade, Foco, Especialista”
“Fica Pra Isso Também não!”
Emergências psiquiátricas
Prioridade não é diagnóstico: é decisão baseada em risco, gravidade e necessidade imediata. Primeiro proteger e compreender; depois aprofundar.
Frase-chave
Primeiro proteger e compreender; depois aprofundar.
- Emergência psiquiátrica = Risco + Ruptura aguda + Necessidade de decisão. Não exige transtorno psiquiátrico conhecido.
- Antes de chamar de psiquiátrico, pense no clínico: mudança abrupta do estado mental aponta primeiro para causa orgânica (delirium), depois substâncias, depois quadro psiquiátrico.
- Exame do estado mental rápido: Aparência, Consciência, Fala e pensamento, Humor, Percepção, Juízo.
- Desescalada: Contato (uma pessoa fala por vez), Ambiente (menos estímulos), Comunicação (frases curtas, limites claros, sem discutir delírios) e Segurança.
- Contenção é medida excepcional, com protocolo, indicação clínica e monitoramento — nunca ameaça, castigo ou conveniência.
- Suicídio: perguntar não "coloca a ideia". Avaliar ideação, plano e intenção, meios e história, proteção e rede.
- Psicose: escutar, não confrontar e não validar o conteúdo delirante como fato — validar a emoção.
“Corpo → Substância → Psiquismo”
“Antes de Concluir, Faça Honesta Percepção e Juízo”
“Sempre Examine Causas, Rede e Conduta”
Cartilha CRPRS/CFP
A Cartilha (CRPRS, 2023) reforça a gestão integral e o protagonismo das comunidades, orienta o cuidado no luto e lista o que fazer e o que não fazer — inclusive no voluntariado.
Frase-chave
Não force a fala, não minta, não ignore, não interprete, não se promova, não cobre, não panfleteie, não se ache.
- Gestão integral: rede de atores, ações de médio e longo prazo, Defesa Civil + RAPS + rede socioassistencial. OMS (2003): priorizar estratégias territoriais e de longo prazo.
- Reações esperadas (Weintraub et al., 2015): tristeza, desespero, desorganização, ansiedade, culpa, apatia, angústia e desamparo — um processo de luto.
- Luto (Freud): dor, desinteresse social e incapacidade de trabalhar e amar. Rituais e memoriais simbolizam a perda e garantem o direito à memória.
- Não fazer: debriefing (forçar a fala), falsas garantias, ignorar interseções, interpretar os eventos, promoção pessoal, pedir dinheiro ou favores, panfletar, superestimar-se.
- Resoluções: CFP 10/2005 (Código de Ética), 13/2022 (atendimento voluntário, art. 7º), 01/2009 (registro documental obrigatório).
“Dor, Desinteresse, Incapacidade”
“Dez é Ética; Treze é de graça; Um é o papel”
Folha-cola
Todos os mnemônicos numa tela só — para a véspera da prova.
| A-E-V-C | Ameaça, Exposição, Vulnerabilidade, Capacidades | Risco é uma relação |
| N-T-B-S-C | Naturais, Tecnológicas, Biológicas, Sociais, Combinadas | Risco é uma relação |
| R · GTC · ITC | a tabela que mais cai | Crise × Emergência × Desastre |
| P-M-P-R-R | Prevenção, Mitigação, Preparação, Resposta, Recuperação | GIRD: as 5 fases da gestão |
| N-T-A-A | os 4 mitos: desastre Natural, todo atingido Traumatizado, psicólogo só no Abrigo, qualquer Ajuda serve | A Psicologia antes, durante e depois |
| I-P-R-P-R-E | o que avaliar no sofrimento | A Psicologia antes, durante e depois |
| B-C-F-E | níveis da pirâmide, de baixo para cima | Pirâmide IASC, rede e limites |
| F-P-I-T | não Forçar narrativas, não Patologizar, não Isolar a Psicologia, não Tomar o lugar da comunidade | Pirâmide IASC, rede e limites |
| C-S-P | a ordem para pensar nas causas | Emergências psiquiátricas |
| A-C-F-H-P-J | exame do estado mental | Emergências psiquiátricas |
| S-E-C-R-C | sequência do 1º contato | Emergências psiquiátricas |
| D-D-I | luto segundo Freud | Cartilha CRPRS/CFP |
| 10 · 13 · 01 | resoluções do CFP | Cartilha CRPRS/CFP |
Agora com a sua aula.
Manda o slide, o PDF ou a foto do caderno e recebe tudo isso, com o plano de estudos até o dia da prova e o vídeo começando pelo seu nome.
Só a semana da prova? Passe de prova: R$ 9,90 por 7 dias.